aprendizados, APG!
O Carlos do CHMKT entrou em contato para uma entrevista em seu blog. Suas perguntas foram super pertinentes e vou reproduzir aqui por completo. Espero que gostem.

Estes são os principais aprendizados do curso que fiz em Londres da APG e também uma reflexão sobre a publicidade atual e a área de planejamento estratégico.
1 – Emanuel, como foi a sua experiência no APG Training Network?
Foi uma experiência muito importante, principalmente pela rede de contatos e pelo aprendizado em Londres, capital onde nasceu o que se conhece hoje por planejamento estratégico de comunicação/marca dentro das agências de publicidade e também onde nasceram os hotshops de estratégia.
2 – Pra quem não conhece, como funciona o programa?
O Training Network é um programa elaborado pelo pessoal do APG abordando os temas principais de planejamento com feras do mercado como Craig Mawdsley, Malcolm White, David Hackworthy, Gareth Goodall, Bridget Angear, Nick Emmel, Ian Murray, entre outros.
A turma tem por volta de 30/40 pessoas e as aulas são ministradas nas principais agências (Fallon, BBDO, Dare Digital, entre outras), cada aula em uma agência diferente. Nos é dado um briefing inicial ao curso e temos que montar uma estratégia e uma apresentação final. Segue o link da apresentação final de meu grupo no PREZI – para quem não conhece, uma ferramenta muito interessante.
3 – Quais foram seus principais aprendizados? E quais foram os momentos mais marcantes?
Existiram alguns momentos marcantes que se tornaram grandes aprendizados.
Primeiro a vida em Londres: os museus, bairros, pubs, pessoas e tudo o que a cidade oferece.
Segundo, a convivência com três grandes amigos publicitários que moram por lá, deram teto para um homeless e muitas conversas com Guiness noite a fora: Isabella Cinopoli, a isa, fera em atendimento da JWT Londres; Nathalie Gil, a tite, fera em planejamento da Publicis Londres e o Luis Felipe Quadros, Massa, fera em marketing digital da Jellyfish.
E por último, o curso. Os professores mostraram um conhecimento único de aspectos importantes de nossa disciplina. O grupo em que cai foi especial, tínhamos pessoas com diferentes conhecimentos: digital planning, engaging planning, ninja planning, isso me fez ver o quanto esta disciplina está em transformação.
4 – O que mudou na forma como você encara o Planejamento?
A hora que fui fazer o curso foi bem quando estava em uma fase de dúvidas e críticas sobre como era feito o trabalho do planejamento. Depois de sete anos de experiência, precisava respirar, aprender novas coisas, ver novas referências.
Acredito que a grande mudança na forma como encaro o planejamento veio após conhecer pessoalmente o pessoal da Naked e descobrir que a comunicação vai muito além da publicidade e o planejamento vai muito além do que eu imaginava.
Cheguei e já me atenderam de uma forma amistosa e descontraída. Sem falar do escritório que na verdade é uma casa diferente de tudo o que eu já tinha visto. Ao entrar você bate de frente com um sofá do tempo medieval e computadores com tecnologia de ponta.
Esperei em uma sala para conversar com Barry Duley e para minha surpresa foram mais de três horas conversando e aprendendo. Barry me levou para dar uma volta pelos três andares e por volta de 70 pessoas trabalhando. São pensadores de diversas disciplinas: antropólogos, filósofos, arquitetos, físicos, designers, que formam uma grande família em busca de visões novas e diferentes para as empresas.
No caminho contou a sensacional história dos três fundadores que começaram em um barco (literalmente) e que vieram de formações totalmente diferentes.
Contou também sobre a origem do nome que simplesmente é estar nua, mostrar a cara, sem entre linhas e independente de grandes grupos de comunicação.
Esta empreitada começou em 2000 e já em 2002, 2003 e 2004 ganharam agência do ano na Inglaterra. Em 2005 os “grandes” do mercado não deixaram participar nesta categoria. Mas foi para melhor, porque eles não se definem como agência e sim como: “creative problem solvers”.
Ganhei como presente o livro “Our House”, com a filosofia e alguns cases da Naked. Como principal aprendizado, deixo aqui o link para as “verdades nuas”.
5 – O que, na sua opinião, planejadores e agências brasileiras poderiam aprender com as britânicas? E o que as britânicas poderiam aprender com as brasileiras?
Nós temos ótimos profissionais de planejamento e agências que, em muitos aspectos, se equivalem ou são melhores que as gringas.
O que mais me intriga é o modelo de negócio das grandes agências brasileiras que, em muitos casos, funcionam como bureau de mídia. Este modelo de negócio fez com que morresse a criatividade da época genial da publicidade brasileira e faz com que o pensamento estratégico não seja visto como um valor agregado e muitas vezes utilizado apenas para racionalizar uma idéia criada sem fundamento.
Existe uma fórmula que deu muito certo e que felizmente está mudando: anúncios fantasmas de filme e press em Cannes para ganhar reconhecimento, controle total da compra de mídias e descaso com o capital humano. Hoje, quem conhece Cannes, sabe da importância do integrated e em 2011 teremos um prêmio para eficiência. Além do Effie que começa a ganhar força no Brasil.
Acredito que esta seja a grande diferença do Brasil para a Inglaterra. Mas já vejo algumas inversões de pensamento por parte dos clientes e de algumas agências. Também acompanham estas mudanças o nascimento de escritórios especializados em estratégia como a CO.R, E*IDEAIS, LIMO, BOX1824, ente outros.
O consumidor mudou, as empresas mudaram, a tendência é que as agências tradicionais evoluam junto com o mercado ou ficarão para a história.
Os ingleses podem aprender muito com a gente. Somos um país jovem, que passou por fases dificílimas e superou isto com muita garra, flexibilidade e criatividade. Somos abertos a novidades e buscamos nos informar e aprender com tudo e com todos.
6 – Qual a principal dica que você dá a quem deseja participar do APG Training Network?
A principal dica é ficar esperto no site da APG e assinar a newsletter. Sempre rolam diversos cursos bacanas, além de palestras e livros.
7 – Após o curso, quais são os seus planos para o futuro?
Voltei com a proposta de não entrar em agências pré-moldadas e que estão na zona de conforto. Quero colocar em prática algumas idéias que trouxe de lá. Atualmente estou focado em ler e estudar biologia. Acho que por trás do tripé marca/mercado/consumidor estão as pessoas e por trás das pessoas os genes. Meio maluco, mas quem ler Richard Dawkins vai entender.
“The goal is not to see what no one has seen. But to think in something no one has thought about something everybody sees” – Arthur Schopenhauer, German Philosopher – Convergence Culture










